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30 de outubro de 2014

Na 1ª decisão pós-eleição, BC surpreende e sobe juros a 11,25% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, subiu a taxa básica de juros (Selic) de 11% para 11,25% ao ano. Foi uma surpresa para o mercado. Os analistas esperavam manutenção da taxa. Em comunicado, o BC diz que considerou o risco da inflação para aumentar os juros.

A decisão não foi unânime: cinco diretores, inclusive o presidente do BC, Alexandre Tombini, votaram pela elevação, enquanto três votaram pela manutenção da taxa de juros em 11%. Com o aumento, o BC interrompe uma série de cinco reuniões com taxa de 11%. Em abril, o BC subiu os juros de 10,75% para 11%. Em maio, julho e setembro, a taxa foi mantida no mesmo nível.

Esta foi a primeira decisão sobre juros depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), no domingo, por uma pequena margem sobre Aécio Neves (PSDB). Uma das maiores críticas a Dilma tem sido a economia, incluindo a inflação em alta. Os juros são usados, entre outras coisas, para tentar controlar a inflação. A presidente disse que novas medidas econômicas serão tomadas a partir de novembro, depois de um amplo diálogo com setores produtivos e financeiros, e que o novo ministro da Fazenda será anunciado no momento adequado.

A Selic é uma taxa de referência para o mercado e remunera investimentos com títulos públicos, por exemplo. Não representa os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos. A taxa média de juros cobrada das pessoas na vida real em setembro, embora tenha caído, chegou a 102,59% ao ano, segundo a Anefac, associação de executivos de finanças.