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23 de dezembro de 2016

Amigos iniciam campanha para ajudar jornalista potiguar com doença rara

Arinaldo Ferreira, 35, teve sua vida transformada em 1998, quando tinha 17 anos e foi acometido por uma doença degenerativa que lhe deixou paralítico. Foram 20 anos tentando se adaptar à nova rotina, superando preconceitos e falta de acessibilidade, até voltar a estudar e realizar o sonho de se formar em jornalismo. Hoje, após a morte da mãe, aquela lhe ajudava com as tarefas domésticas e pagava as suas despesas, Arinaldo se viu em dificuldades. Com ajuda de amigos, iniciou uma campanha para receber doações e, com isso, poder se manter.

Com a morte da mãe, Nair do Nascimento, em 08 de dezembro, aos 69 anos, o jornalista ficou sem nenhuma fonte de renda e sem auxílio para as atividades domésticas. “Ela era tudo”, ressalta Arinaldo. Agora ele conta com a ajuda de uma vizinha para as tarefas domésticas e necessita de doações para custear despesas básicas, que são de aproximadamente R$ 1 mil por mês.

As doações têm sido impulsionadas através de uma campanha online, criada pela professora de jornalismo Vanessa Carvalho, da Universidade Potiguar (UNP), que deu aulas para Arinaldo. Sensibilizada com a situração, a professora começou a incentivar doações através das redes sociais e criou uma campanha no site "vakinha". 

"Eu fui professora de Arinaldo na Unp e vi o esforço dele para frequentar o curso. Depois eu parei de dar aula na universidade, mas continuei acompanhando a vida dele através do Facebook. Eu vi que ele perdeu a mãe, que era o único amparo dele. Então, eu entrei em contato e ele disse que não sabia o que fazer porque ia ter que entregar a casa se não conseguisse dinheiro para pagar o aluguel, e eu decidi começar a campanha", relata a professora Vanessa Carvalho.

O objetivo da campanha é de arrecadar fundos para que ele pagar o aluguel da casa onde vive no bairro Soledade II, Zona Norte de Natal, até que ele encontre uma solução definitiva. A casa simples e com poucos móveis foi toda adaptada por sua mãe e permite que ele possa se locomover entre os cômodos com independência apesar das dificuldades cotidianas.

"Fiquei muito feliz porque a 'vakinha' já arrecadou quase R$ 800, que é suficiente para pagar o aluguel [que custa R$ 690], mas resolvi manter a campanha porque até resolver essa situação de forma definitiva qualquer dinheiro que entrar é importante para ele", diz Vanessa Carvalho.

O jornalista também precisa arrecadar o suficiente para outros custos básicos, como água, energia e suplementação alimentar. “Eu já consegui o dinheiro do aluguel de janeiro mas tenho outras despesas”, relata Arinaldo Ferreira do Nascimento. 

As doações podem ser feitas para a conta poupança de Arinaldo, na Caixa Econômica Federal. Agência 2010/ Conta: 00131803 – 0/ Arinaldo Ferreira do Nascimento/ CPF: 013 956 244 37. Também é possível doar através do site “vakinha”, que tem uma campanha divulgada nas redes sociais do jornalista.

Além da “vaquinha online”, ele conta com a ajuda de uma vizinha que chama carinhosamente de “irmã Vera”. Desde a morte de sua mãe ela o visita todos os dias para auxiliar com as atividades domésticas. Arinaldo vivia sozinho com a mãe e não tem familiares em Natal, com exceção de uma irmã que tem depressão e não pode lhe prestar o auxílio necessário. O pai de Arinaldo faleceu devido a uma úlcera, pouco tempo depois de sua doença começar a se manifestar.

“Minha família mora nos interiores, entre os municípios de Rui Barbosa, Riachuelo e Bodó, e eles não têm como me ajudar. Meu pai é falecido desde 1999 e minha irmã vive em Natal, mas também não tem como cuidar de mim. Eu só tinha a minha mãe. É uma situação muito delicada”, descreve.

Enquanto era estudante do curso de jornalismo, Arinaldo conta que sofreu com o preconceito de outros alunos e quase desistiu de estudar mais uma vez. “A minha grande dificuldade foi o preconceito. A professora passava trabalhos em grupo e os outros alunos não queriam fazer comigo. Eu pensei até em desistir do curso. Passei mais de uma semana sem ir a universidade. Foi quando a diretora do curso de jornalismo conversou comigo e eu retornei as aulas”, relata.

No final de 2014, Arinaldo concluiu o curso e estava começando a ganhar mais autonomia para se locomover sozinho entre a cidade através dos ônibus adptados para cadeirantes. Entretanto, em 2015 teve problemas hepáticos e precisou ficar internado no Hospital Universitário Honofre Lopes. Pouco tempo após a recuperação foi surpreendido pela morte da mãe, que faleceu em decorrência de problemas cardiorrespiratórios aos 69 anos.

Agora o sonho de Arinaldo é encontrar uma solução para as dificuldades que tem passado e iniciar uma família. “Eu tenho o sonho de conhecer alguém, casar e formar minha família. Apesar da minha deficiência eu sou um homem normal. Porque as aparências enganam. Quem me vê assim acha que eu não posso fazer nada, que eu sou um coitadinho, que eu estou apenas vegetando, mas não é isso”, declara o jornalista. 

Até os 17 anos Arinaldo Ferreira tinha uma vida comum, morava com a mãe, frequentava a escola regularmente e jogava futebol com os amigos no final da tarde. Foi em 1998 que após uma fratura mal curada começou a desenvolver os primeiros sintomas de espondilite anquilosante, uma doença degenerativa incurável. 

A doença é mais frequente entre homens no início da idade adulta. A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica e afeta principalmente as articulações da coluna, quadril, joelhos e ombros. 

A doença fez com que a coluna Cervical de Arinaldo se contraísse, o que impossibilitou o movimento das pernas e pescoço e limitou o movimento dos braços. Arinaldo fazia fisioterapia e tomava medicamentos, mas os remédios foram suspensos. Ele sofria com os efeitos colaterais, que prejudicavam o fígado.

A doença fez com que Arinaldo passasse 11 anos longe das salas de aula devido a dificuldade de locomoção. Foi em 2008, quando tinha 26 anos, que ele voltou a estudar e concluiu o Ensino Médio através do EJA (Educação de Jovens e Adultos). “Foi muito difícil para mim porque eu tinha uma vida comum e de repente tive que me adaptar a outra realidade”, relembra.

Após concluir a educação básica, Arinaldo fez a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), com o intuito de realizar o sonho de estudar jornalismo. Apesar do bom resultado, não podia ingressar na UFRN devido a falta de acessibilidade. Em 2010, conseguiu bolsa integral através do Prouni (Programa Universidade Para Todos) e começou o ensino superior na Unp.

“Eu escolhi jornalismo porque o jornalista é um defensor da sociedade, é um agente transformador. Também admirava muito os narradores esportivos. Com 28 anos realizei essa conquista [de ingressar no curso de jornalismo]. Esse é o meu maior troféu”, finaliza. 

Ajude:
Arinaldo Ferreira do Nascimento
Agência 2010 (Caixa Econômica Federal) 
Conta: 00131803 – 0