Para o Grupo Bem Criar, rede especializada no atendimento de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento na Grande Florianópolis, Balneário Camboriú e as unidades no Rio Grande do Norte, a resposta não pode estar apenas na quantidade de sessões realizadas. A empresa vem adotando um modelo no qual o tratamento parte das necessidades de cada criança, com objetivos definidos, acompanhamento da evolução e revisão das intervenções ao longo do tempo.
Na prática, isso significa que duas crianças com o mesmo diagnóstico podem precisar de estratégias, profissionais e intensidades de atendimento diferentes. “Não se trata de estabelecer que mais ou menos sessões sejam melhores. A pergunta precisa ser outra: quais intervenções esta criança necessita, quais objetivos queremos alcançar e como vamos medir sua evolução? É isso que deve orientar o tratamento”, afirma a CEO do Grupo Bem Criar, Joice Melo.
Para crianças e adolescentes, as recomendações incluem ainda a definição de resultados esperados, avaliação sistemática das respostas às intervenções e participação de familiares e cuidadores no processo.
Tratamento não é uma soma de procedimentos
Um dos desafios, segundo a Bem Criar, é superar a percepção de que a qualidade do atendimento pode ser aferida principalmente pelo número de sessões realizadas. Em determinados casos, uma criança pode necessitar de acompanhamento por diferentes especialidades. Isso, porém, não elimina a necessidade de coordenação entre os profissionais e de objetivos comuns para o tratamento. Sem essa integração, existe o risco de que diferentes terapias ocorram paralelamente sem que a evolução global da criança seja adequadamente acompanhada.
É nesse ponto que entra o plano terapêutico individualizado. A partir da avaliação inicial, são estabelecidos objetivos específicos para cada paciente. A evolução é acompanhada e, conforme os resultados, a estratégia pode ser revista.
“Quantidade, isoladamente, não é indicador de qualidade. Podemos ter crianças com necessidades muito distintas. O que precisamos conseguir demonstrar é se os objetivos estabelecidos estão sendo alcançados e se aquele atendimento está fazendo diferença na vida da criança”, explica Joice.
Família também precisa compreender os objetivos
Outro componente do modelo é a participação das famílias. A Bem Criar trabalha para que pais e responsáveis compreendam quais habilidades estão sendo desenvolvidas, quais resultados são esperados e como acompanhar a evolução da criança também fora do ambiente clínico. Essa participação se torna especialmente importante porque o autismo pode exigir acompanhamento por períodos prolongados e as necessidades mudam conforme a criança se desenvolve.
O diagnóstico e o acesso precoce ao cuidado também são relevantes. Quando a criança chega mais tarde ao atendimento, pode haver uma tentativa de compensar o tempo anterior concentrando diferentes intervenções simultaneamente. Para a Bem Criar, mesmo nessas situações, a definição das prioridades deve partir da avaliação individual e dos objetivos terapêuticos.
“Nosso papel é ajudar a família a entender o que estamos buscando em cada etapa. O tratamento precisa ter propósito, acompanhamento e capacidade de ser revisto. O centro dessa decisão deve ser sempre a necessidade da criança”, conclui Joice Melo.
