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12 junho 2017

“Edital do concurso da PMRN deve sair ainda em junho, com 600 vagas”

Tribuna do Norte - À frente da Secretaria de Estado de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), há quase dois meses, a delegada Sheila Freitas comentou problemas da segurança no Rio Grande do Norte e divulgou ações que estão sendo feitas para combater as altas taxas de homicídio no estado. Para a secretária, o maior desafio da pasta é combater o tráfico de drogas, bem como o crime organizado. Sheila afirmou que a falta de efetivo é um dos entraves para melhorar a segurança e anunciou que o edital do concurso para Polícia Militar deve ser divulgado até o final do mês de junho.

Sheila Freitas criticou as audiências de custódia do judiciário. Ela disse que 70% dos crimes cometidos são de pessoas que já tiveram passagem pela polícia. “A PM e Polícia Civil nunca prenderam tanto. Desses 25% são jovens de 12 a 17 anos, que nem ficam internados na maioria das vezes, e saem da delegacia rindo do policial que arriscou a vida para prendê-lo. A certeza da impunidade é grande, e isso fomenta o aumento da criminalidade”, disse a delegada. 

Um convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Governo Federal, que possibilitará o pagamento de R$ 3 milhões em diárias operacionais para a polícia, não tem perspectiva de chegar aos cofres estaduais, segundo Sheila Freitas. “Já era para ter chegado, os problemas foram as mudanças operadas em Brasília, a mudança de ministros. Está tudo assinado, mas não há previsão”, confirmou Sheila Freitas.

A Sesed omite dados sobre a segurança pública, como número de homicídios? A Sesed não tem interesse em de camuflar nenhum dado. Os dados de homicídios são abertos, os corpos são levados ao ITEP e lá tem uma contagem que é feita. O interesse da secretaria é a redução desse número de homicídios, trabalhar para reduzir. A gente precisa divulgar para contar com o apoio da imprensa e da população. Muitas vezes, tem um homicídio e pedimos à imprensa para ligarem no 181 e colaborarem.

Na semana passada tivemos mais um Policial Militar assassinado. Não observamos os índices de violência reduzindo no Rio Grande do Norte. A que vocês atribuem isso?
São vários fatores. Para se reduzir a criminalidade precisa de muita coisa. Uma delas é um efetivo maior de policiamento, não haver a quantidade de fugas (do sistema prisional) que estão acontecendo. A cada dia a gente tira muitas armas de circulação mas a bandidagem está muito armada e tudo isso associado ao tráfico de drogas. O pessoal está matando para roubar um celular. Imagens mostram que o policial estava falando no celular e foi caminhando até o carro, e foi justamente essa displicência dele que chamou atenção. Os bandidos estão procurando quem esteja mais vulnerável e aquela hora da manhã ele parecia ser uma pessoa vulnerável. Na hora da ocorrência devem ter percebido que ele estava armado. O ataque não foi a um policial e sim a um cidadão. Infelizmente o número não está reduzindo porque aumentou a criminalidade, diminuiu o número de policiais por causa das aposentadorias. O governo está a cada dia lutando para que saiam concursos públicos para novas contratações.

Chegamos a uma situação que uma pessoa não pode usar um celular na rua...
Eu contesto o que você está dizendo. Toda hora vemos pessoas usando celulares nas ruas e elas não são mortas e nem roubadas. Temos uma parcela que depende de horários e locais. Temos que ter cuidado com essas notícias. O momento e local favoreceram. Existe uma criminalidade grande mas não existe um bandido por pessoa. 

O perfil dos criminosos mudou?
A mudança diz respeito a globalização do crime. Antigamente o homicida só matava, era o pistoleiro, outro só fazia roubo de banco, traficava, cometia pequenos furtos nas feiras e locais públicos, o estuprador e isso mudou. Com o incremento do consumo e tráfico de drogas, que reputo como maior causa da criminalidade, porque o tráfico dá o dinheiro muito rápido, isso tudo aliado ao desemprego, falta de escola, desestrutura da escola e familiar, tudo é um questão que tem uma base social. Os estudos apontam que a criminalidade vem crescendo a medida que as políticas públicas sociais estão falhando. Ainda temos um sistema criminal, com leis antigas que se pode dizer que o crime compensa, porque os criminosos praticam os crimes e logo cedo estão nas ruas. A gente verifica que 70% dos crimes cometidos são reincidentes. Temos um exemplo desse ano, que uma pessoa foi presa em janeiro por porte ilegal de arma e depois solta, em fevereiro por outro porte de arma e solto, em março foi pego por tráfico. Preso em três bairros diferentes, Cidade Alta, Rocas e Nossa Senhora da Apresentação, é um exemplo de como essa pessoa circulou em nossa cidade, ela podia ter matado pessoas e a gente ainda não ter identificado. 

Como a Sesed acompanha essa situação? Qual a resposta é dada?
Existe o que chamamos de mancha criminal, temos um mapeamento de onde está acontecendo mais roubo, furto, tráfico e morte. Em Natal houve um acréscimo do ano passado pra cá e em Parnamirim houve uma diminuição. Onde tem atuação da polícia, há uma redução, mas o crime migra. Na maioria das cidades onde houve uma acréscimo de homicídios foi onde ocorreram chacinas. Hoje temos o bairro de Nossa Senhora da apresentação, na zona Norte, como o mais violento e intensificamos os trabalhos lá. Atuamos de acordo com as manchas criminais. Em Felipe Camarão houve uma redução porque no ano passado era o bairro mais perigoso e fizemos um trabalho lá. A Força Nacional está localizada em Felipe Camarão, mas hoje atua em Nossa Senhora da Apresentação e Ceará-Mirim. Outro bairro, Cidade da Esperança, houve uma redução. O ideal era que tivéssemos o número de policiais ideal para cobrir todas as regiões, mas não temos, mas isso não é culpa dessa gestão. Estamos sem concurso há anos, e esse ano o governador (Robinson Faria) fez uma coisa que nenhum outro fez, concurso pra bombeiro, soldado e oficial e ainda vai sair para Polícia Civil, Polícia Militar e ITEP.

Quando vai ser publicado o edital para a Polícia Militar?
A gente acredita que em junho ainda, tanto para soldados como oficiais, são 600 vagas.

Como se combate a ação do tráfico onde a polícia não entre constantemente?
Não temos ilhas de excelência dominadas por facções. Sabemos que existiam redutos como Mãe Luiza e comunidade do Mosquito, mas a polícia entra na hora que precisa. O que falta entrar nessas comunidades não é a polícia. O que falta são ações sociais dentro dos redutos, são bairros periféricos que foram relegados pelo serviço público, falta escola, moradia, esgoto, iluminação, emprego, é todo um somatório que leva as periferias a ter o maior índice de criminalidade, tanto acontecendo lá como exportando, quando os moradores estão saindo dos bairros para cometer crimes.

Quais são as ações preventivas?
De várias formas. O policiamento ostensivo nas ruas, blitze, trabalhos investigativos monitorando os grandes traficantes. Não tem como monitorar os pequenos traficantes, a ideia é pegar o maior porque ele alimenta. Os pequenos muitas vezes nem portam a droga, eles são a a ponta que aumenta os números na cadeia ou são liberados logo. 

O que é mais urgente, investir em investigação (Polícia Civil) os ostensividade (Polícia Militar)?
Tudo é urgente. A Polícia Militar conta com 8 mil homens e ela precisa de 14 mil. A polícia investigativa tem 1.400 e precisa de 5.300, e também é urgente. Está se usando uma estratégia de dar um reforço maior ao DHPP, pois estamos vendo que o número da divisão de homicídios estão no contra fluxo da violência, sobretudo em todo o estado. Esse ano em Natal, ocorreram menos de 300 homicídios, e como a divisão legalmente só atua em Natal, teve uma resolução de 50%. Todas foram investigadas, mas a metade foi resolvida, foi um índice nunca visto. Uma coisa é ter um crime que aconteceu em um local com câmeras e pessoas que viram e queiram falar, outra é ter em uma mancha criminal em que quando chega lá, ninguém sabe e nem viu, muitas pessoas modificam a cena do crime antes da polícia chegar, tiram até projéteis.

O modelo das Áreas Integradas (AISP) ainda é utilizado? Ele é eficaz para o atual momento que vivemos?
Sim. A dificuldade que ela passa é que é do registro da perda de documentos nas delegacias, quando ela devia só se ater a crime. Perda de documento é uma prestação de serviço importante para a sociedade, mas na hora que a delegacia gasta 40 a 50% do tempo para registrar esse tipo de ocorrência, quando isso pode ser feito pelo site.

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