Ontem, a reportagem visitou três unidades de ensino localizadas na zona Sul da capital e, em uma delas, a Escola Estadual Walfredo Gurgel, em Candelária, as aulas foram mantidas integralmente e devem continuar assim ao longo da semana. A unidade irá avaliar a possibilidade de os professores efetivos aderirem à paralisação apenas depois do Carnaval.
Nas escolas Floriano Cavalcanti (Floca), em Mirassol, e Luís Antônio, em Candelária, não houve aulas nesta quarta-feira. No Floca, a adesão foi integral. Os professores se reuniram ao longo da manhã apenas para discutir pontos das reivindicações que motivaram o movimento paredista.
Na Luís Antônio também houve adesão total, mas a direção da escola não quis fornecer maiores detalhes da situação. A greve por tempo indeterminado na rede estadual de ensino foi deflagrada na tarde da terça-feira (25). A categoria exige, em contraproposta ao Governo do RN, o reajuste do Piso Salarial de 6,27% para o mês de março, além do pagamento do retroativo acumulado entre fevereiro e março.
No último dia 19, os profissionais da educação rejeitaram a proposta oferecida pelo Governo do Estado, que propôs o aumento salarial de 2% em março e 4,27% em dezembro de 2025, além da implantação do piso salarial para toda a categoria, inclusos ativos e aposentados.
A TRIBUNA DO NORTE procurou a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC/RN) e o Sinte-RN para obter um posicionamento sobre as negociações, bem como um panorama acerca da adesão ao movimento paredista. Tanto a Secretaria quanto o Sindicato informaram ainda não ser possível um levantamento sobre o número de escolas e alunos afetados e de professores que aderiram à paralisação.
“A SEEc está monitorando junto às [diretorias] regionais, mas ainda não é possível obter dados porque a categoria está discutindo o movimento com a comunidade escolar”, esclareceu a SEEC. O Sinte informou que os professores foram às unidades de ensino nesta quarta fazer as comunicações sobre a greve, mas disse que não existe ainda um panorama sobre a adesão. “As regionais é que farão esse levantamento, com base em um calendário criado pelo movimento. Creio que, somente na próxima semana, tenhamos números”, explicou Erlon Araújo, que compõe a direção do Sinte.
Para esta quinta-feira (27), está prevista uma reunião de comando de greve entre 9h e 15h para uma análise sobre o primeiro dia de suspensão das aulas. Em 7 de março haverá uma assembleia para avaliação da greve. No dia 11 está agendado um ato na Governadoria, às 9h. A TN questionou a SEEC sobre o andamento das negociações, mas a pasta reforçou apenas o posicionamento feito na terça, por ocasião do início do movimento.
“Em decorrência de uma ação do Ministério Público, o governo tem tratado com toda prioridade e transparência através do diálogo constante com o MP e o Sindicato dos Professores, num esforço contínuo de manter a aplicabilidade do piso como vem sendo feito desde o início do mandato assegurando os princípios da integralidade e da paridade salarial.
Nesse contexto, já foram realizadas diversas reuniões e apresentadas propostas ao Sindicato da categoria com o objetivo de assegurar um reajuste de 6,27%, o que, ao final de 2025, resultará em um ganho acumulado de 98,25%, considerando o período de 2019 a 2025. Este reajuste com base na Lei 11.738, a qual instituiu o piso salarial nacional, representa uma conquista histórica para a categoria e o compromisso do governo com a valorização dos educadores”, pontuou a SEEC.