Sensibilizado com a situação, ele criou uma vaquinha online para ajudar no tratamento da aposentada. O resultado surpreendeu. Em apenas 11 dias, a campanha arrecadou mais de R$ 570 mil, com o apoio de mais de 11,8 mil pessoas. A mobilização começou em 18 de julho, quando a meta inicial da campanha foi fixada em R$ 100 mil. A corrente de solidariedade, porém, rapidamente superou todas as expectativas. Foi durante a conversa com o influenciador que Hilária revelou a realidade que enfrenta muito além da doença.
“Passei por 73 cânceres e 93 biópsias. Me chamam de monstro, me chamam de ET, me chamam de caveira nas redes sociais. A gente sofre muito preconceito na rua”, conta. Mesmo convivendo diariamente com despesas elevadas, ela admite que pedir ajuda nunca foi fácil. “Se eu fosse comprar toda a minha medicação, passa de R$ 3 mil por mês. Só que a gente fica com vergonha às vezes de pedir, sabe? De pedir ajuda.”
A luta de Hilária começou em 1998, quando ela ainda trabalhava como gari em Itaiópolis. Durante 10 anos, sua rotina era varrer ruas sob o sol, sem qualquer hábito de proteção contra a radiação solar. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ela contou que tudo começou com pequenas manchas espalhadas pelo corpo. “Começou a sair umas pintas no rosto, nas costas, nos olhos e na cabeça.”
Uma biópsia confirmou o primeiro carcinoma basocelular, um tipo de câncer de pele. Mas o número incomum de tumores chamou a atenção dos médicos. Exames posteriores revelaram que Hilária era portadora da síndrome de Gorlin-Goltz, uma doença genética rara causada por mutação no gene PTCH1, que aumenta significativamente o risco de desenvolver múltiplos tumores ao longo da vida. A condição é considerada rara e afeta cerca de uma pessoa a cada 60 mil nascimentos.
