A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança poderá elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões e provocar um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. A entidade também projeta uma redução de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.
Segundo o levantamento da CNI, os produtos industrializados poderão ficar, em média, 6% mais caros. Para roupas e calçados, a estimativa de alta chega a 6,6%. Já os preços de produtos de supermercado podem subir 5,7%. O presidente da confederação, Ricardo Alban, criticou a aprovação da proposta sem uma discussão mais aprofundada sobre os efeitos econômicos e defendeu que o Congresso Nacional avalie os impactos da medida sobre a inflação e a competitividade do país.
Indústria alerta para riscos ao emprego e à competitividade
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também demonstrou preocupação com os possíveis efeitos da redução da jornada sobre o emprego formal e a competitividade das empresas. Para a entidade, a diminuição das horas trabalhadas sem um aumento proporcional da produtividade pode elevar os preços de produtos e serviços. A federação defende que as regras considerem as particularidades de cada setor e preservem a negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores.
“A aprovação de um modelo rígido de organização da jornada desconsidera as diferenças entre setores, empresas e atividades econômicas. Indústria, comércio, serviços, saúde e outras atividades intensivas em mão de obra possuem necessidades distintas de organização do trabalho, que não podem ser tratadas por uma única solução”, afirmou a entidade em comunicado.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também prevê impactos sobre setores essenciais, como saúde, educação, transporte, supermercados e indústria química. A entidade aponta ainda o risco de aumento da informalidade.
Bares e restaurantes podem precisar contratar mais
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) prevê dificuldades para manter a oferta de serviços com a redução da jornada semanal. Segundo a entidade, a mudança poderá exigir a ampliação das equipes para compensar a diminuição das horas trabalhadas.
A associação estima que cerca de 15 milhões de trabalhadores cumprem atualmente a escala 6×1. Para manter o nível atual de atendimento após a mudança, seriam necessários mais 3 milhões de profissionais, conforme a projeção da entidade.
Construção civil prevê impacto sobre obras e moradia
Na construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alerta que a redução da jornada poderá atrasar obras e comprometer investimentos em infraestrutura e habitação. A Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc) estima que a redução da jornada para 40 horas semanais poderá elevar em 5,5% os preços dos imóveis.
O percentual é resultado de um estudo realizado pela entidade em parceria com a consultoria econômica Ecconit. A pesquisa também aponta que até 2,5 milhões de famílias poderiam perder acesso ao financiamento habitacional nesse cenário. As projeções refletem estimativas das entidades sobre os possíveis efeitos da mudança e não representam aumentos já registrados no mercado.
Entenda a proposta de fim da escala 6×1
O Senado aprovou a PEC nesta quarta-feira (14), por 75 votos a 1, em dois turnos. O texto prevê o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso e a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.
A implementação será dividida em duas etapas. Dois meses após a publicação da emenda, o limite semanal cairá para 42 horas e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana. Depois de mais 12 meses, a jornada máxima chegará a 40 horas.
A proposta seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional. A mudança também prevê regras específicas para determinadas atividades e permite negociações coletivas dentro dos limites estabelecidos pelo texto.
