A entidade afirma que não houve cronograma oficial nem garantia orçamentária específica para a produção dos materiais, considerados essenciais para alfabetização e autonomia dos alunos.
O alerta também foi reforçado pelo Instituto Benjamin Constant, ligado ao próprio Ministério da Educação (MEC), que classificou 2026 como um ano de “Braille zero” nas escolas brasileiras. Para especialistas, a ausência do material compromete diretamente o aprendizado, já que tecnologias digitais são vistas apenas como complementares e não substituem o sistema tátil de leitura e escrita.
A Abridef calcula que o custo para atender todos os estudantes seria de cerca de R$ 40 milhões — menos de 1% do orçamento anual do PNLD, que ultrapassa R$ 5 bilhões — e avalia que a situação seria resultado de uma decisão política, não financeira. A associação ainda aponta que, mesmo em anos anteriores, apenas uma pequena parcela dos alunos com deficiência visual recebeu os livros adaptados.
Procurado, o MEC afirmou que há contratos vigentes via FNDE para atender estudantes cegos e que um edital para materiais da Educação de Jovens e Adultos está em andamento, mas não confirmou a entrega imediata dos livros em Braille. A polêmica reacende críticas à gestão do programa, que já havia enfrentado atrasos e cortes orçamentários nos últimos anos, deixando escolas sem parte dos materiais didáticos previstos.

