O impacto potencial é relevante: dados divulgados pelo Sebrae-RN apontam que o polo formado por Caicó, Serra Negra do Norte e São José do Seridó reúne cerca de 130 empresas, produz aproximadamente 2 milhões de bonés por mês e mantém cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos. O Seridó é apontado como o segundo maior polo boneleiro do Brasil.
Empresas de apostas vinham figurando entre os clientes desse mercado promocional, utilizando bonés, chapéus e outros produtos personalizados como brindes em festas, ações publicitárias e eventos patrocinados. Segundo relatos do setor mencionados para esta reportagem, pedidos ligados às bets já estariam sendo cancelados na região, gerando apreensão entre fabricantes e fornecedores. Esses cancelamentos e eventuais demissões ainda precisam ser quantificados em levantamento setorial.
A mudança ocorre após a publicação, em 25 de setembro, da Medida Provisória que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa. As empresas também estão obrigadas a retirar materiais publicitários e de patrocínio, o que reduz diretamente a demanda por ações promocionais associadas às marcas de apostas.
Os efeitos podem alcançar ainda o mercado de brindes em outras regiões do país. Copos personalizados, camisas, bonés e diversos materiais promocionais eram utilizados pelas casas de apostas em carnavais, festas, competições esportivas e outros eventos. No Seridó, onde a bonelaria sustenta uma cadeia formada por fábricas, costureiros, bordadores, fornecedores e serviços terceirizados, a preocupação agora é saber qual será o tamanho do impacto econômico provocado pela perda repentina desse mercado consumidor.
